Você já estudou a sua própria história?
Vocês têm paciência pra ler alguém conversando consigo mesma?
Oi, meu nome é Raquel, mas se você chegou aqui talvez você já saiba disso. O que talvez você não saiba é que eu sou uma mulher bissexual e não-monogâmica, e não iria demorar muito pra chegar com esses assuntos por aqui. Mas, não vai embora ainda, não estou aqui pra tentar converter você à não-monogamia (talvez esteja sim), mas é mais pra refletir sobre como é importante se autoconhecer.
Como vocês encaram os registros que fazem sobre vocês e suas vidas? Você posta uma foto numa rede social e depois esquece da existência dela, ou fica revendo sua galeria, lembrando de algo que fazia em 2013 e pensando “ai que saudade” ou “nossa como eu tava feia”, ou “não acredito que eu andava com essas pessoas”? E, se você, como eu, é dada aos textões, já releu pra saber se você ainda concorda com seu eu do passado, ou passou a achar essa sua antiga versão idiota?
Bom, eu, como boa millennial com aspirações de escritora/comunicadora, tive blogs entre o final dos anos 2000 e início dos 2010. Um deles ainda está por aí, cheio de registros escritos da minha saída da adolescência para a vida adulta. Eu, como historiadora (de mim mesma) que sou, gosto de revisitá-lo às vezes, para descobri que em alguns momentos eu era muito ingênua, e em outros, muito perspicaz.
Tá, Raquel, mas e a bissexualidade e a não-monogamia ficam onde nessa conversa? Em mim, ué, e nesse experimento que vou fazer aqui de uma espécie de “react” de uma coisinha que escrevi em 2011, no auge dos meus 19 aninhos.
Amar é… É esse é o título do texto, é bem ruim, eu sei.
Durante muito tempo me considerei uma pessoa um tanto fria, pois minha quase total ausência de romantismo nunca me permitiu viver uma paixão. Eu conheço a paixão pelas músicas, livros, filmes, poemas... chego até a senti-la quando escrevo histórias em que os personagens se apaixonam, mas eu nunca a vivi.
Devo dizer que bom que até hoje eu nunca vivi uma paixão como a da maioria das músicas, livros, filmes… porque a maioria delas envolve uma performance de romantismo que idealiza pessoas e relações, anda ao lado da obsessão e do ciúme doentio. Eu até cheguei a pensar que era arromântica, porque esse romantismo fazia zero sentido pra mim, mas depois descobri que ser arromântica não tem nada a ver com isso.
Até pouco tempo isso me incomodava muito, cheguei a dizer que acabaria por me casar por conveniência, já que nunca aconteceria de me casar por paixão... Mas me veio o click que me fez apagar todas essas ideias.
Que bom, né gata. Que ideia merda é essa de casamento por conveniência? O que seria conveniente em casar sem amor? Fora que parece que eu sentia que obrigatoriamente eu teria que me casar em algum momento da vida, mesmo não querendo. Que medo desse pensamento.
Hoje, definitivamente eu sei que não perco nada por não me apaixonar, não somente por não sofrer o que se sofre quando se cria uma projeção romântica de alguém, mas porque eu tenho algo muito maior que a paixão: o amor.
Primeiro, perde sim, porque se apaixonar, ao mesmo tempo que pode ser assustador, pode ser bem gostoso, e isso são coisas que só se pode entender quando se experiencia. Claro que eu me eduquei, e sigo me educando para que minhas paixões não sejam movidas por projeções idealizadas das pessoas, e sim pelo encanto que sinto por elas serem elas mesmas. Mas, que amar é melhor que se apaixonar, concordo demais.
Eu não preciso de romantismo para sentir amor, muito menos para falar sobre ele, porque o amor é um sentimento livre, posso amar quantas pessoas eu quiser (inclusive ao mesmo tempo), e o quanto eu quiser, na intensidade que mais convêm.
Não precisa mesmo, pelo menos não desse romantismo idiota pautado em performances de gênero impostas e bem pouco naturais. Sim, o amor é livre, e eu posso amar quantas pessoas eu quiser, inclusive ao mesmo tempo. Olha só os pensamentos não-monogâmicos na cabecinha da jovem que nem conhecia o termo ainda, nem tinha vivência com a não-monogamia (acho que nem com a monogamia, pelo que eu estou lendo nesse texto). Agora quanto a ser na intensidade que convêm… Moça, que obsessão é essa pela conveniência? A gente não controla o quanto sente não viu, no máximo, podemos entender de qual forma vamos lidar com esses sentimentos.
E não é difícil amar, basta conhecer, gostar e ter carinho o suficiente para que se caiba na palavra amor. É provável que eu realmente não me apaixone pela pessoa com quem um dia eu talvez venha a me casar, mas nunca será por conveniência, porque eu terei amado essa pessoa o suficiente para escolher dividir minha vida com ela.
Mas eu falava muito em casamento pra uma pessoa que dizia que não queria casar kkkkkk. Pois é, eu me apaixonei, algumas vezes, por pessoas de diferentes gêneros (eu gosto de como eu usava a palavra pessoa ao invés de especificar o gênero de quem que queria me apaixonar, típico de gente no armário). Hoje eu realmente divido minha vida com uma pessoa que eu amo, e mais afetos que vão surgindo, porque eu consegui realizar meu desejo de viver o amor de forma livre.
Talvez meu modo de ver as coisas seja um tanto peculiar, talvez esse texto tenha sido pessoal demais, não sei, só sei que desejo a quem leu todo o amor do mundo, porque amar é bom demais.
Peculiar kkkkkk Relaxa, todo mundo se expõe demais no século XXI. Sim, amar é bom demais, e eu amo você.
Obrigada por ler até aqui, deixo o apelo pra quem quiser/puder, clicar no linktree que eu deixo no fim do post e ver todas as formas de acompanhar e apoiar meu trabalho.
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Amar é bão demai 😁