Descansa depois de morrer!
"é esse tipo de lavagem cerebral que esse sistema doente faz com a gente"
Finalmente cliquei no botãozinho de escrever um novo post por aqui. Tá tudo bem difícil e por isso não tenho encontrado ânimo e inspiração pra escrever. Mas não vou ficar remoendo as bad vibes por aqui não. Hoje não. Quem viu minhas redes sociais nos últimos dias, viu. Quem não viu, que bom que vocês se pouparam.
Hoje pensei neste período sem escrever como uma merecida pausa, porque todo mundo merece um intervalo nas tarefas rotineiras pra se aquietar num canto e pensar e pensar e pensar na vida. O problema é que a gente sempre acha que não tem esse tempo, que não merece ele, e até que não precisa dele. Achamos que o ideal é viver num ritmo acelerado, cobertos de demandas e sempre cansados. Parece até que é algum mérito viver cansado. E quando paramos, surgem mil ansiedades gritando que não deveríamos estar parados.

Eu costumo dizer que existem três categorias de pessoas que nos cobram que façamos as coisas em ritmos que não nos são naturais: nossos pais, nossos professores e nossos patrões. Pais e professores fazem isso enquanto dizem nos preparar para a vida, patrões o fazem porque já estamos na vida para a qual fomos preparados: o mercado de trabalho numa sociedade capitalista.
Não estou aqui pra vilanizar ninguém, nem pra te dizer pra odiar seus pais, professores e patrões. Bom, talvez patrões, sim. Mas o ódio mesmo precisa ser direcionado a toda a estrutura que fez nossos pais, professores e patrões agirem com tanto desrespeito. A essa estrutura que faz a gente se tratar com desrespeito e achar isso normal.
Desde que tive burnout, prometi a mim mesma que nunca mais me submeteria a trabalhar doente. E advinha o que eu fiz? Isso mesmo, me submeti. Porque no meu último CLT não importava se eu tinha caído de uma escada e quebrado a perna (isso não é uma metáfora, realmente aconteceu), eu tinha que aguentar trabalhar em pé das 11 da manhã às 8 da noite em regime 6x1. E eu vivi isso como se fosse normal e aceitável, porque é esse tipo de lavagem cerebral que esse sistema doente faz com a gente.
Daí corta pra mim 4 anos depois de ter literalmente caído de uma escada por um trabalho que não seria reconhecido e que me dispensaria sem dó menos de um ano depois. Corta pra mim sendo minha própria chefe. Minha própria patroa abusiva. Quando eu vou dormir triste porque minha enxaqueca crônica não me deixou passar horas na frente do computador pra terminar uma encomenda. Quando eu não suporto a ideia de que uma crise de ansiedade me bloqueou de trabalhar no meu péssimo escritório onde cai água quando chove. Quando minha única preocupação deveria ser sofrer o mínimo possível numa crise de fibromialgia, mas eu tô preocupada mesmo é de não sumir demais das redes onde eu divulgo meu trabalho.
Ok, eu falei que não traria bad vibes aqui hoje, mas acabei fazendo. Desculpa. Todo esse texto é pra ser um lembrete pra mim mesma e pra quem estiver lendo de respeitar um pouquinho mais nosso próprio tempo e nossas próprias limitações. Já tem gente demais ao nosso redor pra nos negar este respeito.
Obrigada por ler até aqui, deixo o apelo pra quem quiser/puder, clicar no linktree que eu deixo no fim do post e ver todas as formas de acompanhar e apoiar meu trabalho.
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Que bom que voltou, quem precisa de inimigo quando nosso próprio cérebro resolve ser filho da p* com a gente né... que infernooo
Mas é isso, ande devagar e sempre.