Como aprender a desenhar
Estudo? Prática? Cópia? Palitinhos?
Geralmente chegam pra gente que desenha e perguntam coisas do tipo: “Como é que começa?”, “Como é que faz pra desenhar?” E a gente fica tipo: “Só desenhe! Pegue seu papel, sua caneta, seu lápis e… desenhe.” E as pessoas: “Mas é que eu não sei… eu só sei fazer bonequinho de palitinho.” E é aí que achamos o X da questão: ninguém te avisou (ou alguém te traumatizou a respeito disso) que se você sabe fazer um boneco de palitinho você sabe desenhar. Então eu vim avisar que técnica vocês já tem porque vocês desenharam em algum momento da vida, mesmo que seja quando vocês eram crianças muito pequenas, logo, vocês sabem desenhar.

O fato é que se você consegue manusear um lápis, uma caneta, um pincel, seja o que for, sobre qualquer superfície: uma parede, uma tela, um papel, a sua pele, a pele de outra pessoa… você tem técnica, se você tem técnica você já sabe desenhar. Tem artistas profissionais trabalhando com arte, fazendo história em quadrinho, por exemplo, ou fazendo animação, com boneco de palitinho. Então não quer dizer que se você faz só boneco de palitinho você não sabe desenhar, você sabe sim.
Claro que tá tudo bem não querer fazer só os mesmos palitos pra sempre, é só lembrar que evoluir na arte é algo muito relativo e depende apenas da sua visão artística (que você constrói consumindo e fazendo arte) e de mais ninguém. E aí se você quiser esta evolução, aprender outra técnica, ou aprender alguma coisa que vai facilitar a sua vida na hora de desenhar, você estuda e pratica.
Tá, mas, seguindo essa linha de pensamento de “eu já sei desenhar” como estudar e praticar? Bom, pra mim, artista a sei lá quantos anos e com formação acadêmica na área, a primeira coisa necessária é desconstruir algumas nóias e ilusões. A gente costuma ir com muita sede ao pote achando que vai aprender o uso das melhores técnicas e melhores materiais, mas no fim das contas, melhor pra quem? Porque se você for estudar sobre alguém que você considera uma grande referência nas artes, muitas vezes aquele artista criou ou desenvolveu alguma técnica, e fez isso justamente não utilizando, ou utilizando de uma forma diferente, as técnicas que eram consideradas as melhores por alguém.
Os neo-impressionistas, por exemplo, ao invés de misturar cores primárias para obter secundárias e assim por diante criar uma paletas de cores, passaram a pintar apenas com cores primárias, dispostas lado a lado na forma de pinceladas pequenas, gotas ou pontos. Assim, evitavam tons indesejados formados à partir dos pigmentos misturados e ainda assim criavam obras com cores vibrantes e diversas, pois a proximidade entre estes pontinhos gera a “ilusão de ótica” de que existem cores secundárias ali. Além disso, os pontinhos geram efeitos de luz e sombra riquíssimos apenas pela decisão do artista de aproximá-los ou afastá-los. E foi assim que nasceu o pontilhismo. Agora é a hora que você volta na imagem acima e percebe que o guarda-chuva laranja na verdade é pintado com bolinhas amarelas e vermelhas, a blusa verde com bolinhas amarelas e azuis e a saia roxa com azuis e vermelhas.
Mas, voltando aos estudos e práticas. Existem “regras” que na verdade são padrões que a gente pode usar de referência, mas não serve de muita coisa seguir certos passo-a-passo de como desenhar sem se dar liberdade para experimentar até chegar num resultado que seja satisfatório pra você. É preciso entender que não é porque algo deu certo pra alguém que dará certo pra você, e tá tudo bem.
Outro problema que precisamos remediar é a ansiedade por ter um estilo X (o tão almejado e superestimado realismo, por exemplo), ou por desenvolver um estilo pessoal. Isso vem com o tempo e com a prática equilibrada. Muitos vão te dizer que pra chegar neste objetivo você tem que desenhar todo dia, mas o que geralmente não fazem, é explicar como fazer isso. Professores que tive me forçaram a desenhar várias vezes as mesmas coisas, usando os mesmos materiais, as mesmas técnicas, e dia após dia, todo resultado que eu tinha parecia igual. Eu já desenhava, mas não o que eu queria, não como eu queria. Esse tipo de prática cansa, e você demora a perceber as melhorias que você gostaria de ver.



Essa demora costuma ser minimizada quando a gente tenta coisas diferentes. Voltamos ao tópico experimentar. Quer desenhar todo dia até ficar feliz com seu resultado? Ótimo. Desenha todo dia uma coisa diferente, de um jeito diferente. É nesse processo que você descobre com o que você se dá bem. Viu que está caminhando para um estilo pessoal? Continue experimentando. Com o tempo você vai incorporando no seu estilo coisas que você experienciou e aprendeu enquanto desenhava algo completamente aleatório. O jeito que você segura a caneta pra fazer hachura pode te ajudar a fazer uma melhor lineart, por exemplo. Relaxa com essa ideia de só desenhar num estilo muito bem definido, muitos artistas tem diversos estilos “alternativos”, ou, simplesmente mudam toda a forma que trabalham ao longo de suas vidas e isso é perfeitamente natural.




Também não precisa ter medo de fazer arte “feia”, até porque normalmente nem tudo é bonito. Não tenha medo de copiar alguém na intensão de estudar (errado é usar comercialmente e dizer que aquela arte/ideia é sua). E não se frustre se sua “cópia” não ficou igual à referência. É até mais legal se ficar diferente. É a autenticidade da sua arte falando mais alto que a tentativa de ser igual a alguém. E se quiser se comparar, não se compare, é isto.
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Estou começando hoje! Minha namorada é ilustradora e disse que vai me ajudar no processo. Mas ela disse o mesmo que você: só vai e desenha. Aí decidi começar desenhando algo que amo: Pokémon.
Adorei o texto.
ESSE TEXTO AQUI TA DO CARALHO